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O conteúdo deste blog é de material didático, com sugestões de atividades e aulas práticas com material de baixo custo.
As propostas são elaboradas por mim, com base em pesquisas em diferentes bases de dados. As propostas foram testadas em turmas de ensino médio e fundamental, ou com professores de várias áreas.
CASO USE NOSSO CONTEÚDO, POR FAVOR CITAR A FONTE:
Autora: RTSR, Adila

domingo, 3 de junho de 2012

Varal do tempo


TEXTO PARA LEITURA – O tempo e a vida
Para cada um dos seres vivos que vive na Terra – e são muitos – o tempo passa diferente...
Para os brasileiros, a expectativa de vida em 1940 era de cerca de 50 anos, hoje é de pouco mais de 70 anos. Isto no faz refletir: hoje chamar uma mulher de 40 anos de idosa é uma ofensa, mas em 1940 era a constatação de uma realidade. Portanto, o tempo é sentido de modo diferente, em épocas diferentes.
E para grande parte das espécies vivas, a vida compreende o espaço entre nascer, crescer, reproduzir-se e morrer.
Para os cães este espaço de tempo está entre 6 a 15 anos.  Para as tartarugas dos Galápagos, este tempo é de 100 a 200 anos. Para o bicho-da-seda, o tempo necessário para nascer, crescer, reproduzir e morrer é de 15 dias. Assim, na natureza, quando nos perguntam se o mosquito vive muito ou pouco, a resposta é que ele vive o bastante para cumprir seu ciclo de vida.
O tempo e as bactérias
As bactérias se reproduzem apenas dividindo seus componentes celulares em duas partes. Este processo se chama divisão binária, que é uma forma de reprodução assexuada. Neste tipo de reprodução as características hereditárias são mantidas as mesmas em todos os indivíduos.
Reprodução assexuada é a forma de reprodução na qual um único indivíduo dá origem a dois outros, ou a mais de dois.  Existem várias formas de reprodução assexuada como o brotamento: surge um broto do corpo do indivíduo, e quando o broto cresce o suficiente, ele se destaca do indivíduo que o originou. Uma das vantagens da reprodução assexuada é que o indivíduo não precisa se arriscar na procura, ou na luta, por um parceiro.
Os indivíduos gerados por reprodução assexuada geram descendentes com a mesma carga genética do indivíduo que os originou, portanto os filhos são cópias genéticas dos pais.
Você reproduz uma planta de forma assexuada quando quebra o galho de uma roseira e o enterra. O resultado é um clone da planta original!
Há quanto tempo você fazia clonagens e não sabia?
As bactérias produzem clones de si mesmas por reprodução assexuada, desta forma elas são imortais!!!!!!Em geral, antes que uma célula degenere, ela já deu origem à outra! Então, as bactérias não têm tempo de vida, elas têm tempo de geração. O tempo de geração é o tempo que uma célula bacteriana demora a dar origem a duas outras.
Enquanto medimos o tempo de vida de um animal desde o momento que ele nasce até o que ele morre, nas bactérias medimos seu tempo de geração.




ATIVIDADE 11 – O varal do tempo  
Você vai precisar de uma folha de papel ofício, fita adesiva, um barbante, uma caneta e uma trena. Meça 1 metro do barbante e corte. Este metro representa cem anos, nele cada centímetro representa 1 ano.
Escolha 3 momentos importantes da sua vida, pense nos eventos que mais marcaram,  escolha 3 momentos que você gostaria que acontecessem, projete coisas importantes que você pretende fazer no futuro.
Marque o barbante com a caneta a cada 10cm. Cada 10 cm de barbante irão corresponder a 10 anos de sua vida.  Marque no barbante a medida correspondente a 70 anos (que é a perspectiva de vida do brasileiro).
Pense nos eventos importantes da sua vida e vá marcando no barbante os centímetros correspondentes à idade em que estes eventos aconteceram, ou que irão acontecer.
Faça uma pequena etiqueta com o papel ofício identificando este evento. Assim, se aos seis anos você entrou pela primeira vez na escola, marque seis centímetros e coloque uma etiqueta .
Agora preveja o futuro, e coloque o que você acredita que vai acontecer de mais importante na sua vida. Coloque no varal os seus planos.
Compare o seu varal do tempo com o de seus colegas.
Observe que cada pessoa vivencia o tempo de maneira diferente. Alguns começam na escola mais cedo, outros mais tarde, em quanto outros tiveram que parar a jornada de estudos no meio para recomeçar depois.  E as perspectivas futuras de cada um também são bastante diferentes...

Continuando...
Se você associar a este varal outras etiquetas com os momentos importantes na história da sua comunidade ou do seu país, você terá noção de como o tempo passa para você e para as pessoas ao seu redor.



TEXTO PARA LEITURA  – O varal do tempo da Terra
Assim como o tempo é um fator determinante no desenvolvimento dos seres vivos, e cada um o vivencia de forma diferente, a Terra e o Universo contam o tempo de forma diferente. O tempo de vida do Planeta Terra está dividido em intervalos  que representam eventos da evolução da Terra. A escala do tempo geológico está dividida Éons, Eras, Períodos e Épocas. Na tabela abaixo estão os eventos importantes da  história da Terra.
Tabela – O varal do tempo da vida na Terra
Éon
Era
Período
Época
Idade milhões de anos
Características
Fanero-zóico
Ceno-zóico
Quaternário
Holoceno (Recente)
0,01
Aparecimento do homem / Glaciação no hemisfério norte
Idade dos mamí-feros
Pleistoceno
1,6
Terciária
Plioceno
5,3

Mioceno
 23,7
Oligoceno
 36,6
Proliferação dos primatas
Eoceno
 57,8

Paleoceno
 65,4
Primeiros cavalos

Meso-zóico
Cretáceo
 144
Plantas com flores
Extinção dos dinossauros

Idade dos répteis
Jurássico
 208
Primeiros pássaros e mamíferos
Triássico
 245
Primeiros dinossauros

Paleo-zóico
Permiano
 286
Extinção dos trilobitas
Idade dos anfíbios

Carbonífero
360
Primeiros répteis

Grandes árvores primitivas

Devoniano
 408
Primeiros anfíbios
Idade dos peixes

Siluriano
 438
Primeiras plantas terrestres

Ordovicano
505
Primeiros peixes
Idade dos inverte-brados

Cambriano
 570
Primeiras conchas/ Trilobitas dominantes
Proteo-zóico
Pré-Cambriano-briano
Neoproterozóico
2.500
Primeiros organismos multicelulares

          


Mesoproteozóco
Paleoproteozóico
3.800
 Primeiros organismos unicelulares
Idades das rochas mais antigas
Arqueano


Hadeano
4.500

Você reparou que esta tabela tem, no alto, os eventos mais recentes?

Uma reflexão sobre o tempo
"Imagine que os 4,5 bilhões de anos da Terra foram comprimidos em um só ano (entre parênteses colocamos a idade real de cada evento). Nesta escala de tempo, as rochas mais antigas que se conhece (cerca de 3,6 bilhões de anos) teriam surgido apenas em março. Os primeiros seres vivos (cerca de 3,4 bilhões de anos) apareceram nos mares em maio. As plantas e os animais terrestres surgiram no final de novembro (a menos de 400 milhões de anos). Os dinossauros dominaram os continentes e os mares nos meados de dezembro, mas desapareceram no dia 26 (de 190 a 65 milhões de anos), mais ou menos a mesma época em que as montanhas rochosas começaram a se elevar. Os humanóides apareceram em algum momento da noite de 31 de dezembro (há aproximadamente 11 milhões de anos). Roma governou o mundo durante 5 segundos, das 23h:59m:45s até 23h:59:50s. Colombo descobriu a América (1492) 3 segundos antes da meia noite, e a geologia nasceu com as escritos de James Hutton (1795), Pai da Geologia Moderna, há pouco mais que 1 segundo antes do final desse movimentado ano dos anos." (extraído de Eicher, 1968)

ATIVIDADE 12 – O varal do tempo da vida na Terra  
Consulte a tabela e complete o exercício abaixo:
A formação da Terra aconteceu há 4,5 bilhões de anos.
O surgimento dos primeiros seres vivos aconteceu há  _____________________ de anos.
O surgimento dos primeiros dinossauros aconteceu há  __________________ de anos.
A extinção dos dinossauros aconteceu há  _______________________ de anos.
O surgimento do Homem aconteceu há  _______________________ de anos. 
Observe que o tempo geológico é contado em milhões de anos.

Você pode construir um mural da vida do nosso planeta, da mesma forma que você construiu o varal da sua vida. Faça as contas para transformar os anos geológicos em centímetros num barbante.
Cada metro no barbante corresponde a 1 bilhão de anos.
Cada 10 centímetros correspondem a ______________  anos. 
Agora cada centímetro corresponde a ______________ anos.
Da mesma forma que você colocou etiquetas para os acontecimentos importantes da sua vida, você pode fazer o mesmo para os acontecimentos importantes para o planeta Terra.

Agora você é capaz de responder a perguntas importantes:
Os homens conviveram com os dinossauros?
Quanto tempo demorou para que o Homem (Homo sapiens) surgisse no planeta Terra?


A. Trubat & M.F. Barroso, Seres vivos - Textos e experimentos para o ensino de física e de ciências. Materiais do LIMC elaborados para a REDE Nacional de Formação Continuada de Professores da Educação Básica, da SEB/MEC (E-LIMC, 2008, 60 p.)

Eu sou o arqueólogo

Objetivos: 
Apresentar as evidências, e a maneira como essas evidências foram encontradas, para compreender como a vida em nosso planeta foi se modificando.

Introdução
Temos uma pergunta: será que a vida na Terra foi sempre igual a como existe hoje?

Instruções para montagem da Atividade “Você é o paleontólogo”

Nas figuras a seguir, há vários desenhos de pedaços de ossos de esqueletos de dinossauros.  Copie-os em cartolina e recorte-os.  Use a cartolina como molde para fazer os fósseis em EVA (emborrachado) ou em papel cartão.  Não se esqueça de numerar as peças!

Coloque numa caixa cheia de papel (camadas de papel de cores e texturas diferentes) os vários recortes de esqueletos de dinossauros feitos em cartolina ou emborrachado.  Com isso você monta um campo de exploração.
 
Para guardar os recortes de ossos, construa com uma garrafa PET (de Coca-Cola) um recipiente: recote a garrafa horizontalmente com cuidado na região que fica logo acima da curva (uns 15 cm acima do fundo da garrafa). Use as ranhuras da garrafa para fazer o fechamento do recipiente: corte verticalmente, de duas em duas, as ranhuras.


A. Trubat & M.F. Barroso, Seres vivos - Textos e experimentos para o ensino de física e de ciências. Materiais do LIMC elaborados para a REDE Nacional de Formação Continuada de Professores da Educação Básica, da SEB/MEC (E-LIMC, 2008, 60 p.)





ATIVIDADE – Em grupo - Você é o paleontólogo

Esta sala contém um importante sítio arqueológico. 
Simularemos o trabalho de um paleontólogo, desenterrando fósseis com um pincel neste campo arqueológico (no final desta unidade, mostramos a você como preparar um para seus alunos).

A Paleontologia (do grego palaiós, antigo + óntos, ser + lógos, tratado) é a ciência natural que estuda a vida do passado da Terra e o seu desenvolvimento ao longo do tempo geológico, bem como os processos de integração da informação biológica no registo geológico, isto é, a formação dos fósseis.
Enquanto executa a tarefa, vá anotando (em seu caderno de registro) o número e o aspecto das camadas pelas quais você vai passar, até desenterrar completamente o fóssil.  
Caderno de Exploração e Registro
Registro: anote todos os passos desta atividade.  Após terminá-la, discuta com seus colegas o que você concluiu desta unidade e anote as idéias principais da turma.
À medida que vai desenterrando, observe com cuidado a posição do pedaço,  para que seja mais fácil montar seu fóssil.
Ao terminar de montá-lo, responda às questões abaixo:
 Você pode, pelas características do fóssil, descobrir seus hábitos alimentares?
Que características do fóssil estão presentes nos animais que vivem hoje?




A. Trubat & M.F. Barroso, Seres vivos - Textos e experimentos para o ensino de física e de ciências. Materiais do LIMC elaborados para a REDE Nacional de Formação Continuada de Professores da Educação Básica, da SEB/MEC (E-LIMC, 2008, 60 p.)

Jogo da seleção natural


O Jogo da Seleção Natural
O objetivo do jogo é mostrar como a seleção natural age sobre os seres vivos, selecionando as caraterísticas das espécies.
Neste jogo, você vai treinar seus olhos de ave!
Você é um pássaro caçador na floresta, e tem 10 segundos procurar sua presa e se alimentar. Você  se alimenta de uma única espécie de inseto, que pode ser azul ou verde.
Para esta atividade você vai precisar, para cada grupo de quatro alunos, de uma caixa de papelão com cerca de 50cm de largura por 50cm de comprimento, e paredes laterais com 20 centímetros de altura. E de 30 palitos de fósforo (sem a cabeça), dos quais 15 devem ser pintados de verde e 15 pintados de azul.
E mais: papel crepom e papel de seda  em vários tons de verde amassados, filetados, picotados e picados. Os papéis verdes serão a floresta, por isso faça uma variedade de formas de apresentação do papel. O papel deve ser em quantidade suficiente para cobrir o fundo da caixa, e ficar numa altura de 10 centímetros.
Agora escolha os caçadores: cada grupo vai escolher três caçadores e um contador de presas. Os caçadores devem pegar os insetos para se alimentar. O contador vai avaliar se os caçadores estão sendo eficientes, e cronometrar o tempo de cada um. E vamos ao ataque!
Cada caçador tem 10 segundos para caçar o maior número de insetos possível de qualquer cor. O caçador entrega ao contador os palitos para que ele anote os números de palitos azuis e verdes. Os palitos não devem ser devolvidos para a caixa entre um caçador e outro.
Caso haja apenas uma caixa para a floresta, recoloque os palitos entre um grupo de alunos e outro.
Esta atividade pode ser feita em área livre gramada. Basta demarcar com um barbante e estacas uma área de 1 metro quadrado para cada grupo de alunos, e aumentar o número de palitos, 25 para cada cor.
Vamos avaliar o desempenho de cada caçador usando o quadro abaixo, que deve ser preenchido pelo contador:



Nº de insetos verdes
Nº de insetos azuis
Caçador 1


Caçador 2


Caçador 3



Depois de preencher a tabela, faça as contas: quantos verdes e quantos azuis sobraram?
Agora vamos discutir:
Considere a característica cor do inseto: são possíveis as variações verde e azul.
Qual das duas leva vantagem no meio ambiente?
Qual a cor mais encontrada na natureza? O desempenho dos caçadores foi o mesmo? Haveria diferença se a mata fosse azul?

Caderno de Exploração e Registro
Registro: anote os resultados obtidos e compare com aqueles que você obterá com seus estudantes.
Anote o resultado das questões propostas para discussão.

Viagem com Darwin


Vamos viajar com Darwin ?
Vamos viajar com Darwim no mapa mundi. Veja abaixo os portos pelos quais Darwin passou. Marque no mapa estes portos, e com uma linha tracejada marque o curso do navio Beagle.
Dezembro de 1831 – saída do proto de Plymounth na Inglaterra
Janeiro de 1832 – Ilhas Canárias – costa Africana 
Janeiro de 1832 – Cabo Verde – costa Africana
Fevereiro de 1832 – Salvador –  Brasil
Abril de 1832 – Rio de Janeiro  – Brasil
Julho de 1832 – Montevidéu  – Argentina
Setembro de 1832 – Punta Alta – Argentina
Dezembro de 1832 – Terra do Fogo – Argentina
Março de 1833 – Ilhas Malvinas – Argentina
Junho de 1834 – Estreito de Magalhães – extremo sul da América do Sul
Março de 1835 – Valparaíso – Chile
Setembro de 1835 – Ilhas Galápagos – Equador
Janeiro de 1836 – Sydney – Austrália
Abril de 1836 – Ilhas Keeling – Austrália
Maio de 1836 – Ilhas Maurício – África (sul)
Junho de 1836 – Cabo da Boa Esperança – extremo sul da África
Agosto de 1836 – Salvador – Brasil
Agosto de 1836 – Pernambuco – Brasil
Outubro de 1836 – Falmouth, fim da viagem – Inglaterra




Darwin no Brasil
Algumas anotações de Darwin em seu diário a bordo do Beagle revelam seu espanto com a natureza exuberante, e com as desigualdades que ele encontrou aqui.
"Se ao que a natureza concedeu aos brasis o homem acrescesse seus justos e adequados esforços, de que país poderiam jactar-se seus habitantes! Mas, onde a maioria ainda está em estado de escravidão e onde o sistema se mantém por todo um embargo de educação, fonte principal das ações humanas, o que se pode esperar, a não ser que o todo seja poluído por sua parte? .
"Não importa o tamanho das acusações que possam existir contra um homem de posses, é seguro que em pouco tempo ele estará livre. Todos aqui podem ser subornados .
Sobre os negros no Brasil, Darwin escreve:
"Não posso deixar de crer que serão eles um dia a dar as cartas. (...) Espero que chegue o dia em que eles garantam os seus próprios direitos".
Ao deixar a costa brasileira, Darwin escreve: “...que jamais visite de novo uma nação escravocrata”.


A. Trubat & M.F. Barroso, Seres vivos - Textos e experimentos para o ensino de física e de ciências. Materiais do LIMC elaborados para a REDE Nacional de Formação Continuada de Professores da Educação Básica, da SEB/MEC (E-LIMC, 2008, 60 p.)



Corpo humano - para começar a entender

CORPO  HUMANO
É importante que os professores de ensino fundamental compreendam como as crianças descobrem seu corpo e suas possibilidades. Explorando estas possibilidades elas podem adquirir novas linguagens.



OBJETIVOS
Ao final desta aula o aluno deverá ser capaz de:
l  Entender que o corpo pode ser um instrumento de linguagem
l  Explorar a imagem corporal
l  Utilizar as medidas do corpo para explorar operações matemáticas



Nosso corpo é mais que um conjunto de órgãos funcionando em sincronia. Ele é um instrumento de comunicação com as pessoas e o mundo que nos cerca. É importante conhecer seu funcionamento e suas possibilidades. Nos “não nascemos sabendo”, e como todas as outras coisas, precisamos aprender como lidar com nosso próprio esquema corporal.
Para entender nosso corpo, vamos começar refletindo sobre a visão que o Homem tem de seu corpo através das pinturas rupestres.

UNIDADE 1 - O CORPO EM QUE VIVEMOS

Para os homens primitivos o corpo era um instrumento de luta pela sobrevivência. Os braços fortes serviam para lutar com os inimigos, e as pernas para correr dos predadores. Os artistas primitivos viam no corpo humano a inspiração para uma das mais antigas formas de arte conhecidas: a pintura rupestre.  As pinturas rupestres foram feitas com pigmentos naturais misturados a gorduras animais e vegetais. No Brasil algumas delas podem ter até 50 mil anos. Estas pinturas retratam o cotidiano do Homem e sua vida, seus sucessos e fracassos, suas crenças e seus rituais. Acredita-se que a maioria delas teria caráter educativo. Se você parar para pensar: você já utilizou imagens para ensinar aos seus alunos? Foi uma estratégia eficiente? Você poderia ensinar  sem as imagens?
As representações do corpo humano nas pinturas rupestres indicam uma estrutura básica: cabeça, tronco e membros. Embora esta representação apresente traços singelos, não faltam vigor e movimento. Elas reproduziam as técnicas de caça necessárias à sobrevivência, os rituais importantes e o modo de viver das pessoas. Por isso o corpo humano foi representado enfeitado para os rituais, ou executando os mais variados movimentos, em ação. Compare as pinturas rupestres com as de crianças de 3 a 6 anos, e você verá algumas semelhanças nas formas e nos movimentos. Da mesma maneira que as crianças de hoje, os homens primitivos usavam a linguagem das pinturas para contar histórias. Esta pode ser uma atividade estimulante para seus alunos: contar uma história usando apenas imagens.

Abaixo vemos uma pintura rupestre encontrada no Parque Nacional da Capivara, nordeste do Brasil. Observe bem a pintura e veja quanto movimento ela transmite. Os corpos das pessoas e dos animais estão fazendo os mais variados movimentos.



Observe a figura acima e descreva o que as pessoas estão fazendo.
Que história o pintor está nos contando com seu trabalho?










Será que você viu?

Todas as atividades humanas foram representadas em uma pintura simples.  Com representações simples dos movimentos humanos e dos animais. Através dessas representações você pode perceber:
l  A história de uma caçada difícil, na qual alguns caçadores podem ter morrido.
l  Uma cena de um ritual para uma grávida
l  Uma bela festa, com uma dança coreografada.
Você pode ter percebido outros movimentos, e todos eles expressam uma atividade humana. O corpo é utilizado como instrumento de linguagem. Sem a necessidade de usar a fala, podemos contar as histórias de nossas vidas.


Dicas para a sala de aula:
Você pode valorizar uma brincadeira tradicional de mimica. Peça a seus alunos para que usem gestos para contar uma história.


O homem primitivo acreditava que as funções, ou mau funcionamento do corpo, eram regidos por divindades. Eles acreditavam que as doenças eram fruto da ira dos deuses e sua cura deveria ser obtida por rituais. Será que seus alunos tem a mesma visão das doenças? Nos próximos textos você poderá ter uma pista.


A. Trubat & M.F. Barroso, Seres vivos - Textos e experimentos para o ensino de física e de ciências. 2009